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Quem são os próximos ministros a deixar o STF

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Foto: Carlos Moura – 07.nov.2019 / SCO – STF

Até o final de seu mandato, em 2022, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) poderá indicar dois ministros para o STF (Supremo Tribunal Federal), alterando consideravelmente o perfil da corte constitucional do país.

O primeiro a se despedir será o decano Celso de Mello. Ele deixaria o cargo em novembro deste ano, ao completar 75 anos. Contudo, ele decidiu antecipar sua aposentadoria para outubro.

Em 12 de julho de 2021 será a vez de Marco Aurélio Mello, que também alcançará a idade limite para o serviço público.

Os dois são considerados juízes garantistas, que prezam pelo direito de defesa dos réus e a prevalência do que está escrito na Constituição sobre eventuais novidades legislativas ou pressões populares – um contraste em relação ao perfil punitivista que deve ser a tendência a ser adotada por Bolsonaro, defensor do endurecimento da legislação penal.

Celso de Mello
Respeitado entre seus pares por sua erudição jurídica e histórica, Celso de Mello integra o STF desde 17 de agosto de 1989, indicado por José Sarney. É autor de votos como o que criminalizou a homofobia, liberou pesquisas com células-tronco, o que considerou legítimas manifestações como a Marcha da Maconha, ou que impediu a prisão em segunda instância.

“Não há como compreender que esta Corte, em nome da presunção de inocência, afaste a possibilidade da inclusão do nome do réu no rol dos culpados antes do trânsito em julgado da decisão condenatória, mas permita, paradoxalmente, a execução provisória (ou prematura) da pena”, declarou em seu voto na sessão ocorrida em 2019.

Discreto e avesso a eventos sociais, Celso de Mello prefere se manifestar por escrito quando vê o STF envolvido em alguma polêmica. Foi assim quando classificou de “golpista e inconsequente” uma fala do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, que disse que bastaria um cabo e um soldado para fechar a corte. Ainda, chamou de “atrevimento presidencial” o compartilhamento de um vídeo (depois apagado) por Bolsonaro que comparava o tribunal a uma hiena.

Marco Aurélio
Mais falante, Marco Aurélio raramente recusa um pedido de entrevista. Foi indicado pelo presidente Fernando Collor de Mello, de quem é primo, e tomou posse em 13 de junho de 1990. Sob sua presidência, o STF implantou em 2002 a TV Justiça, que garantiu a transmissão ao vivo dos julgamentos do Plenário — e mudou para sempre a relação da sociedade com a corte, cada dia mais exposta.

Sua característica mais lembrada é a dissonância, o que lhe rendeu o apelido de “senhor voto vencido”. “A minha sina é divergir”, já declarou o ministro, que discordou da maioria ao votar contra a revogação da Lei de Imprensa, a manutenção da prisão de Suzane von Richtofen ou, quando ainda estava em vigor a permissão para prisão antes do trânsito em julgado, deu uma decisão que libertava todos os presos nessa situação.

19.dez.2020 – Ministro Marco Aurélio durante sessão de encerramento do ano forense no STF. Crédito: Nelson Jr./SCO/STF

Crítico de Sergio Moro quando este era responsável pela Operação Lava Jato, Marco Aurélio já disse esperar que sua cadeira não seja ocupada pelo ex-juiz e atual ministro da Justiça de governo Bolsonaro — presença constante nas bolsas de apostas para a sucessão no STF. Ao comentar o vazamento de diálogos que colocaram em xeque a isenção de Moro na operação, o ministro alfinetou com a ironia que também lhe é característica: “Não tenho nada a esconder e não mantenho diálogos fora do processo com as partes”, disse, ao ser perguntando se não temia a ação de hackers.

Sob os holofotes
A indicação de ministros do STF é uma prerrogativa exclusiva do presidente da República, mas a confirmação do nome cabe ao Senado, que tem o papel de aprovar o escolhido após sabatina diante dos parlamentares. Tradicionalmente, é um processo que ocorre nos bastidores e envolve muita negociação política.

A expectativa em torno das opções de Bolsonaro ganhou novas luzes e alcançou um novo patamar desde a campanha eleitoral. O então candidato já havia proposto ampliar de 11 para 21 o número de integrantes da corte e, em outra ocasião, sinalizou sua preferência por nomes “cristãos”.

Embora tenha baixado o tom após assumir a Presidência da República, Bolsonaro já manifestou em diferentes oportunidades sua insatisfação com a composição da corte, que tem sete dos atuais ministros indicados pelos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Quando propôs ampliar o número de cadeiras da corte, o então candidato disse que as decisões do STF “têm envergonhado a todos”.

Interpretados como uma ameaça à independência do Poder Judiciário, os gestos se somam a constrangimentos como a fala do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, que disse que bastariam um “cabo e um soldado” para fechar o STF, ou as manifestações de apoiadores de Bolsonaro contra ministros da corte — estas, mais agudas a partir do início do governo.

A sucessão no STF continua sendo um tema recorrente durante o mandato do presidente, que disse que indicaria um ministro “terrivelmente evangélico” para o tribunal. O “fator Moro” também aprofunda o enredo: embora já tenha afirmado à Rádio Bandeirantes que indicaria o ex-juiz por ele ter abandonado a magistratura para integrar seu governo, Bolsonaro disse mais tarde não ter assumido este compromisso.

A mudança de postura coincidiu com a revelação dos diálogos de Moro com procuradores pelo site The Intercept Brasil, o que poderia dificultar a aprovação de seu nome pelo Senado. Por outro lado, uma indicação ao Supremo sepultaria qualquer pretensão política do ex-juiz — que hoje é negada com veemência. Com popularidade superior à de Bolsonaro, Moro por vezes é visto como uma ameaça à reeleição do presidente.

PEC da Bengala
A possibilidade de duas indicações para o Supremo até 2022 tem sua origem no governo Dilma Rousseff, em 2015. Naquela ocasião, com a base governista em avançado processo de esfacelamento, a Câmara dos Deputados, sob liderança do então presidente Eduardo Cunha, aprovou a ampliação de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria compulsória do serviço público.

O efeito prático da Proposta de Emenda à Constituição foi retirar de Dilma as chances de nomear mais quatro ministros que se aposentariam até 2018. Entretanto, o tema voltou ser discutido entre parlamentares da base de apoio a Bolsonaro. A deputada Bia Kicis (PSL-DF) apresentou uma nova PEC pra revogar a regra em vigor e restabelecer a idade de 70 anos como limite, ampliando o número de indicações que poderiam ser feitas por Bolsonaro até o fim de seu mandato.

Uma outra proposta legislativa também pretende alterar o processo de escolha de ministros do STF. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), incluiu entre as prioridades de 2020 a discussão de um projeto que instituiu a indicação a partir de uma lista tríplice e limita o mandato dos ministros a dez anos.

Os próximos a deixar o STF
Veja abaixo quando os atuais ministros completam 75 anos:

– Celso de Mello: novembro de 2020 (indicado por Sarney em 1989) – mas vai deixar o cargo em outubro

– Marco Aurélio Mello: julho de 2021 (indicado por Collor em 1990)

– Ricardo Lewandowski: maio de 2023 (indicado por Lula em 2006)

– Rosa Weber: outubro de 2023 (indicada por Dilma em 2011)

– Luiz Fux: abril de 2028 (indicado por Dilma em 2011)

– Cármen Lúcia: abril de 2029 (indicada por Lula em 2006)

– Gilmar Mendes: dezembro de 2030 (indicado por FHC em 2002)

– Edson Fachin: fevereiro de 2033 (indicado por Dilma em 2015)

– Luís Roberto Barroso: março de 2033 (indicado por Dilma em 2013)

– Dias Toffoli: novembro de 2042 (indicado por Lula em 2009)

– Alexandre de Moraes: dezembro de 2043 (indicado por Temer em 2017)

Publicação original: CNN Brasil

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13 de maio de 1999

13 de maio de 1999

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