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Avanços contínuos na promoção de mulheres

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É difícil descrever o simbolismo em ver alguns fatos históricos, especialmente quando vêm de mulheres que, em suas frentes de atuação, transformam o panorama de seu tempo e influenciam gerações. Atualmente, o mundo do Direito está no centro desse turbilhão de mudanças significativas e avanços profissionais conquistados pelas mulheres nas últimas décadas. 

É momento de muita felicidade ver a chegada de mais duas mulheres ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE): Vera Lúcia Santana e Edilene Lôbo, que compõem a capa da Revista JC deste mês. Elas foram indicadas para integrar a Corte Eleitoral no cargo de Ministras Substitutas pela classe de juristas e entram para a história como as primeiras mulheres negras a terem assento no TSE. Nas entrevistas que aqui se seguem, as Ministras se apresentam, falam sobre suas formações, trajetórias de vida e experiências marcantes.

De modo geral, os movimentos femininos nas carreiras jurídicas começaram a dar frutos que nos permitem ver mulheres em exercício nos mais diferentes setores, ainda que os números sejam singelos. No Poder Judiciário, o percentual de magistradas apresentou leve queda, de 38,8% para 38%, com expressiva diminuição nos postos mais altos da carreira, conforme o relatório do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a Participação Feminina na Magistratura 2023 (ano-base 2022). 

Outro entrave de sub-representação na Justiça se dá na questão racial. O Diagnóstico Étnico-Racial no Poder Judiciário, produzido pelo CNJ em 2023, aponta que apenas 9,7% das Desembargadoras são negras-pardas e 1,5% é negra-preta. É o que se traduz nas palavras da Ministra Vera Lúcia, quando diz que não há “teto de vidro” que impede a ascensão de Magistradas negras, haja vista que elas ainda não conseguiram nem mesmo o piso.

Frente a esse cenário, é notável o esforço e a dedicação empenhados pela cúpula do Poder Judiciário nos últimos anos para promover iniciativas em prol de igualdade de gênero no ambiente institucional e incentivo da participação feminina nos espaços. A título de exemplo podemos citar duas resoluções do CNJ, uma instituiu a Política Nacional de Incentivo à Participação Institucional Feminina no Poder Judiciário e outra criou a política de alternância de gênero no preenchimento de vagas para a segunda instância do Judiciário. 

Celebramos também a chegada de quatro destacadas conselheiras ao CNJ no mês de fevereiro. São elas: a Juíza Renata Gil, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, primeira mulher a presidir a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB); a Juíza Federal Daniela Madeira, do Tribunal Regional Federal da 2a Região; a Desembargadora Federal do TRF da 3a Região Mônica Autran Nobre; e a advogada da União Daiane Nogueira de Lira. 

Por fim, contamos com a experiência de quem viu, viveu e cobrou mudanças. A Ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, integrante do Conselho Editorial da Revista JC, discursou por ocasião do Dia Internacional das Mulheres em sessão realizada no dia 7 de março de 2024. Única mulher a compor a Suprema Corte, não adornou as palavras ao exigir a efetivação dos princípios constitucionais que protegem a vida das mulheres. Fez, ainda, um chamamento para a busca da felicidade, da equidade e da pacificação. 

“A justiça é representada por uma mulher. A República moderna na França é uma mulher. A própria ideia de Justiça com Democracia com a balança é feminina. No entanto, continuamos em desvalor profissional, social e econômico, e é exatamente sobre a égide de uma Constituição que, 35 anos depois de seu primeiro momento de vigência, estampou expressamente que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Mesmo sendo obrigação atuar igualmente, as possibilidades desta construção conjunta muitas vezes nos é negada”, declarou a Ministra. 

Leia ainda nesta edição  – A Revista JC de março apresenta mulheres que atuam em iniciativas importantes para o funcionamento do sistema de Justiça, como é o caso da Juíza Flávia Martins Carvalho à frente da Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal. Outra relevante entrevista compõe o Espaço Enfam com a apresentação das Desembargadoras Federais do TRF da 2a Região Carmem Silvia e Andrea Esmeraldo, que abordaram a coordenação do Exame Nacional da Magistratura (ENAM). 

Igualmente pertinentes foram as ponderações de tantas Juízas, Magistradas e Advogadas de diferentes cantos do país que se mobilizaram para colaborar com esta edição, capitaneadas pela querida amiga, a Desembargadora do TJRJ Adriana Mello, referência na defesa da igualdade de gênero. Ao todo, considerando a versão impressa e a digital da revista, contamos com a participação de pelo menos 25 mulheres. Aqui, seguem opiniões de estudiosas do Direito sobre a representatividade da mulher na Advocacia, o papel das mulheres nos espaços de poder da Defensoria Pública, a igualdade de gênero e as políticas públicas judiciárias do CNJ, a mulher Juíza na Justiça Militar da União, e também a violência digital contra mulheres. 

Em termos de gênero, dois temas sobressaíram nos textos desta edição, como a problematização do papel do Poder Judiciário na efetividade dos direitos das mulheres e a candente ausência feminina nos espaços de poder e em cargos mais altos – o que nos leva a concluir que devemos seguir firmes na luta por equidade. Ainda existem espaços a serem ocupados, preconceitos a serem quebrados. O caminho certamente é longo, mas isso não nos impede de celebrar todas as conquistas que alcançamos ao longo de todos esses anos.

Boa leitura!

Edição

13 de maio de 1999

13 de maio de 1999

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Opinião e Editoriais
Sobre o autor
Erika Siebler Branco
Editora da Revista Justiça & Cidadania
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